Mundo dos Invertebrados
O Filo Porifera




Introdução

O filo Porifera abrange animais conhecidos como esponjas. Os adultos não têm trato digestivo, músculos e nervos convencionais e sistemas de sinalização neuronal tradicionais, órgãos típicos dos metazoários, junções comunicantes entre as células, polaridade anteroposterior evidente (exceto nas larvas) e alguns dos genes fundamentais ao desenvolvimento dos metazoários. Além disso, as esponjas têm raízes ciliares com estrias transversas nas células larvais e nos coanócitos – aspectos típicos de muitos protistas.
Entretanto, as esponjas demonstram os atributos que definem os metazoários, como a pluricelularidade derivada da deposição de camadas embrionárias, junções especializadas entre as células, elementos contráteis de actina-miosina e colágeno tipo IV.
Análises genômicas recentes de Amphimedon queenslandica (classe Demospongiae) e de Oscarella carmela (classe Homoscleromorpha) revelaram a existência de determinados genes homeóticos fundamentais e também representantes da maioria das moléculas dos metazoários superiores envolvidas na comunicação intercelular, nas vias de sinalização, nos epitélios complexos e no reconhecimento imune.
Esses organismos também têm reprodução sexuada típica dos animais e o desenvolvimento de embriões por uma série estruturada de divisões celulares (clivagens celulares), que resultam em uma larva espacialmente organizada com múltiplas camadas celulares e capacidades sensoriais.
A maioria das larvas tem simetria anteroposterior evidente e muitas esponjas adultas têm simetria apicobasal (ou polaridade) definida pela existência de um ósculo grande em uma extremidade (embora as posições dos ósculos geralmente sejam determinadas unicamente pelas forças hidrodinâmicas do ambiente). Outras mostram essa polaridade em razão de sua forma de crescimento pedunculada e/ou pinada, comumente até com troncos/pedúnculos e estruturas radiculares. Por outro lado, muitas esponjas não têm qualquer tipo de simetria em suas formas adultas.
Análises de genética molecular sugeriram que Porifera sejam monofiléticos e que claramente façam parte de Metazoa. Na verdade, recentemente, pesquisadores descobriram genes das esponjas que estão implicados na regulação da polaridade anteroposterior e na especificação de determinados tecidos durante o desenvolvimento de outros metazoários basais, sustentando a afirmação de que as esponjas passem por gastrulação verdadeira durante a embriogênese.
As esponjas são animais pluricelulares sésseis, que se alimentam principalmente de suspensões e utilizam células flageladas conhecidas como coanócitos para circular a água por um sistema singular de canais aquáticos. A maioria das esponjas depende de um esqueleto interno de espículas de carbonato de cálcio ou dióxido de silício para sustentar seu próprio corpo, que pode ser muito grande.
No passado, acreditava-se que Porifera não fizessem deposição bem-definida de camadas germinativas que resultassem em tecidos definíveis – uma condição referida algumas vezes como “grau parazoário de construção corporal”. Contudo, hoje sabemos que as esponjas passam por processos distintos de gastrulação, da qual se originam os tecidos dos adultos; por isso, provavelmente é melhor deixar o conceito de “parazoário” no passado.
Entretanto, alguns dos tecidos das esponjas adultas são transmutáveis até certo ponto e não fixos, em virtude de grau de pluripotência – a maioria das células é capaz de mudar de forma e função, e algumas são mantidas em um estado totipotente para que possam ser recrutadas “por demanda" (os pinacócitos e os esclerócitos não podem).
(Fonte: Modificado de Brusca & Brusca, 2007.)




